Imobiliária São Domingos REMAX
Muitas vezes, a estética de um piso novo bem assentado na área de serviço nos distrai de um dos elementos mais críticos para a funcionalidade do ambiente: o escoamento da água. Não é raro notar, poucos meses após uma reforma, que pequenos volumes de líquido permanecem estagnados perto dos cantos ou que a água insiste em seguir para o lado oposto ao ralo. Esse transtorno não é apenas uma questão de desconforto; é o resultado direto de um desnível mal planejado no contrapiso.
A inclinação — tecnicamente chamada de caimento — é o que define a direção da água em direção ao ponto de drenagem. Quando observamos o piso, o olho humano tem dificuldade em medir ângulos pequenos, mas a água, por gravidade, é implacável. Se o caimento não for preciso, a água não flui. O problema começa quase sempre na execução do contrapiso. Durante uma reforma, é comum que a pressa ou a falta de marcação rigorosa dos níveis antes da aplicação da argamassa façam com que o profissional perca a referência do ponto mais alto em relação ao ralo.
Para avaliar se o trabalho foi bem feito, o primeiro passo é observar o "encontro das águas". Em uma área de serviço bem executada, o piso deve apresentar cortes diagonais em direção ao ralo, formando o que chamamos de "transpasses" ou "espinha de peixe" no desenho das peças. Se as peças ao redor do ralo estiverem niveladas entre si, sem esse corte diagonal que cria o declive, a água ficará retida na superfície da cerâmica ou do porcelanato.
Outro ponto importante é a transição entre o piso da área de serviço e os ambientes adjacentes. Se a inclinação for muito acentuada, o ralo pode acabar ficando em um nível muito baixo em comparação ao restante do cômodo, o que cria um degrau imperceptível, mas que impede o escoamento total se a água vier de um canto distante. O ideal é que o caimento seja suave e constante. Para verificar isso sem equipamentos, a técnica do nível d'água caseiro ou até mesmo o teste de observação de uma pequena quantidade de água despejada é o mais eficaz. Ao jogar um balde de água, observe se ela corre de forma contínua ou se forma poças em pontos específicos. Se houver poças, o caimento apresenta uma "barriga", ou seja, um ponto onde o contrapiso ficou mais baixo do que o próprio ralo.
A posição do ralo também influencia. Em reformas, é frequente que o ralo seja mantido no lugar original por economia, mesmo que a configuração dos eletrodomésticos tenha mudado. Se o ralo estiver posicionado sob a máquina de lavar, por exemplo, a avaliação da inclinação torna-se complexa, pois o peso do equipamento e a vibração podem comprometer a vedação ao redor da peça. O ideal é que o ralo fique em uma zona livre, onde o declive possa ser formado de forma uniforme a partir de todos os quatro cantos da parede até o centro.
Se você notar que a água empoça em um canto da parede, isso é um sinal claro de que o contrapiso não teve o caimento necessário a partir daquele ponto de origem. O ralo deve ser o ponto mais baixo de todo o conjunto de placas. Se o piso estiver alto demais ao redor da grelha do ralo, haverá um anel de água permanente, o que, com o tempo, pode facilitar infiltrações nas juntas de rejunte. Falando em rejunte, ele também faz parte da inclinação. Se o rejunte estiver mais alto que a borda do ralo, ele funcionará como uma barreira física. A borda da grelha do ralo deve estar sempre milimetricamente abaixo do nível do piso final.
Avaliar a inclinação não exige conhecimentos técnicos de engenharia, mas sim uma observação atenta sobre como o líquido se comporta nos primeiros minutos após o uso. Quando o desenho das peças não favorece o escoamento ou o contrapiso apresenta variações de nível que contradizem a gravidade, o incômodo se torna uma constante na rotina doméstica. Ajustar esses detalhes ainda na fase de assentamento evita retrabalhos que, depois de pronto, exigem a remoção completa do revestimento.